segunda-feira, 7 de junho de 2010

Faça da sua super exposição a sua indignação. Ou demissão.

Falemos agora sobre mais um mal do homem contemporaneo: a demissão pela super exposição. Recentemente o jornalista Felipe Milanez, editor da Revista National Geographic Brasil, foi demitido por fazer duras críticas à uma reportagem publicada na Revista Veja, que pertence ao mesmo grupo que ele: a Abril.

Sem me ater à opiniões pessoais acerca da Veja e seu modus operandi alienador das pobres mentes classimedianas (hehehe), vamos ao que realmente nos importa: o twitter, a visibilidade e a demissão.



Bem, o Twitter é um site de rede social na internet, comumente chamado de
microblog, que permite a troca de informações entre usuários por meio de
mensagens de no máximo 140 caracteres a partir da pergunta “O que está
acontecendo?”. Ok, muito legal, quer algo mais instigante do que poder dar seu 'pitaco' em tudo o que está acontecendo no mundo, expor uma opinião relevante, por mais que somente o autor o ache? Na pós modernidade, acho que não.

Vivemos numa era em que o excesso de exposição em diversas esferas é crescente, em decorrência do medo do silêncio. Exteriorizar o seu 'eu' - indignado, amável, grosseiro, etc. - é condição essencial para a sobrevivência em sociedade do homem contemporâneo. Quem é obscuro, logo não é aceito por aqui - sociedade, não?

Pois é, daí entramos no caso do pobre do Felipe Milanez. Jornalista, premiado e com um currículo interessante, possui um currículo militante em prol das causas indígenas, tanto que até mesmo em seu twitter, aparentemente ele utiliza uma palavra de cunho indígena. É um ser humano, passível de indignações.

Com o seu conhecimento de mundo, ele pôde opinar, com propriedade, acerca do preconceito declarado da revista contra os índios e, particularmente escrevendo agora, acredito que seja contra qualquer minoria que não faça parte da classe média alta leitora da Veja, né não?.

Enfim, Felipe se indignou, e utilizou do twitter, que instiga, dentre outras coisas, a fazer da comunicação uma forma de indignação para o que está acontecendo no mundo e com ele, e isto, obviamente, tange as reportagens veiculadas por aí.

Bom, neste caso, como fica a responsabilidade com a empresa que se trabalha? Bem, isto é compplicado. Sou a favor de qualquer livre manifestação, e acredito nelas para a transformação da sociedade num espaço mais justo e igualitário; mas, não esquecendo do capitalismo presente, fica a pergunta: e eu vou comer de quê?

Quando se entra numa empresa, e bem, eu particularmente não passei por muitas, se pede discrição acerca de alguns assuntos internos. Atitude correta, aprendi isto desde cedo com a minha mãe, aquela coisa do "roupa suja se lava em casa"; porém, estamos falando de algo publicado para um país inteiro. Então, partindo disto, não considero justa a demissão do jornalista, pois este só expôs a sua indignação acerca de algo que foi publicado, e acho, inclusive, que ele poderia ter destinado sua raiva aos jornalistas diretamente; ganharia inimizades mas garantiria o ganha-pão.

Por outro lado, ainda não concordando com o 'pé na bunda', vejo que foram uma série de tuitadas, não só a respeito da reportagem, mas que remetem também a rotina da empresa, coisas que ele presencia, mas que não devem ser colocadas ao grande público. E isto é complicado, pois toca em feridas internas que foram expostas de forma irresponsável.

Não defendo esta demissão por argumento nenhum, mas considero que Felipe foi inconsequente quando deixou de focar sua indignação na matéria e a estendeu à empresa, e sua rotina interna, que ele conhece bem e deveria preservar. Foco e cuidado são muito importantes quando se trata da sua opinião, acredite, ela pode te render não só uma demissão.

Acho que cuidado é a palavra de ordem, e lembrar sempre que discrição é fundamental para o bom profissional, especialmente se tratando dos meandros da empresa onde se trabalha. Lembre sempre, se você está lá, mesmo que não concorde, é colaborador deste processo.

De resto, creio que um pouco de cuidado com a vida online, sem esse 'encosto' de super-sincero (da mesma forma que acontece na vida offline). E vamo - que - vamo.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Sancionamento de leis: quem eles pensam que são?

Vamos lá, sancionamento de leis.



Antes de iniciarmos esta discussão, que eu já sei por onde iniciar (a - há!), podemos expor aqui como se dá um sancionamento, ou o caminho todo que a lei encara até ser sancionada.
Bom, segundo a wikipedia, o caminho me parece simples. Mas não.

Eu fico me perguntando, saindo de todo o questionamento acerca dos "representantes do povo, escolhidos por nós", quem são aqueles que votam a favor ou contra a minha vida, meu bem-estar?

Partindo disto, não consigo deixar de citar aqui a PLC 122/06, que criminaliza a homofobia, e toda a sua trajetória para chegar até aqui . Não consigo conceber uma lei que parte do princípio do respeito possa gerar tanta discussão sem fundamento. É puramente uma lei que vem reforçar um direito que deveria ser universal, mas infelizmente não é.

Mas daí vem aqueles representantes do povo, oh, magnânimos. Uns desgraçados como os da FPE (Frente Parlamentar Evangélica), que não defendem a lei por entenderem que se trata de uma ditadura gay? Ahn?

Fica muito claro que estes querem deturpar a real intenção da lei em troca de poder atacar as minorias com uma das suas principais bandeiras de agressão: a Bíblia (isso para não dizer Deus).

Fico temeroso só de pensar no quão sujas devam ser, e o quanto uma aprovação de lei deva valer no mercado negro de Brasília hoje. O sancionamento é hoje um mercado favorável à popularidade política. Pobres de nós.

Eu não acredito.Assim como não pertenço. E vocês?