Sem me ater à opiniões pessoais acerca da Veja e seu modus operandi alienador das pobres mentes classimedianas (hehehe), vamos ao que realmente nos importa: o twitter, a visibilidade e a demissão.

Bem, o Twitter é um site de rede social na internet, comumente chamado de
microblog, que permite a troca de informações entre usuários por meio de
mensagens de no máximo 140 caracteres a partir da pergunta “O que está
acontecendo?”. Ok, muito legal, quer algo mais instigante do que poder dar seu 'pitaco' em tudo o que está acontecendo no mundo, expor uma opinião relevante, por mais que somente o autor o ache? Na pós modernidade, acho que não.
Vivemos numa era em que o excesso de exposição em diversas esferas é crescente, em decorrência do medo do silêncio. Exteriorizar o seu 'eu' - indignado, amável, grosseiro, etc. - é condição essencial para a sobrevivência em sociedade do homem contemporâneo. Quem é obscuro, logo não é aceito por aqui - sociedade, não?
Pois é, daí entramos no caso do pobre do Felipe Milanez. Jornalista, premiado e com um currículo interessante, possui um currículo militante em prol das causas indígenas, tanto que até mesmo em seu twitter, aparentemente ele utiliza uma palavra de cunho indígena. É um ser humano, passível de indignações.
Com o seu conhecimento de mundo, ele pôde opinar, com propriedade, acerca do preconceito declarado da revista contra os índios e, particularmente escrevendo agora, acredito que seja contra qualquer minoria que não faça parte da classe média alta leitora da Veja, né não?.
Enfim, Felipe se indignou, e utilizou do twitter, que instiga, dentre outras coisas, a fazer da comunicação uma forma de indignação para o que está acontecendo no mundo e com ele, e isto, obviamente, tange as reportagens veiculadas por aí.
Bom, neste caso, como fica a responsabilidade com a empresa que se trabalha? Bem, isto é compplicado. Sou a favor de qualquer livre manifestação, e acredito nelas para a transformação da sociedade num espaço mais justo e igualitário; mas, não esquecendo do capitalismo presente, fica a pergunta: e eu vou comer de quê?
Quando se entra numa empresa, e bem, eu particularmente não passei por muitas, se pede discrição acerca de alguns assuntos internos. Atitude correta, aprendi isto desde cedo com a minha mãe, aquela coisa do "roupa suja se lava em casa"; porém, estamos falando de algo publicado para um país inteiro. Então, partindo disto, não considero justa a demissão do jornalista, pois este só expôs a sua indignação acerca de algo que foi publicado, e acho, inclusive, que ele poderia ter destinado sua raiva aos jornalistas diretamente; ganharia inimizades mas garantiria o ganha-pão.
Por outro lado, ainda não concordando com o 'pé na bunda', vejo que foram uma série de tuitadas, não só a respeito da reportagem, mas que remetem também a rotina da empresa, coisas que ele presencia, mas que não devem ser colocadas ao grande público. E isto é complicado, pois toca em feridas internas que foram expostas de forma irresponsável.
Não defendo esta demissão por argumento nenhum, mas considero que Felipe foi inconsequente quando deixou de focar sua indignação na matéria e a estendeu à empresa, e sua rotina interna, que ele conhece bem e deveria preservar. Foco e cuidado são muito importantes quando se trata da sua opinião, acredite, ela pode te render não só uma demissão.
Acho que cuidado é a palavra de ordem, e lembrar sempre que discrição é fundamental para o bom profissional, especialmente se tratando dos meandros da empresa onde se trabalha. Lembre sempre, se você está lá, mesmo que não concorde, é colaborador deste processo.
De resto, creio que um pouco de cuidado com a vida online, sem esse 'encosto' de super-sincero (da mesma forma que acontece na vida offline). E vamo - que - vamo.
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